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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

30.Ago.10

PERIGOS DE VERÃO - AS PICADAS



 

Nesta altura estamos habituados a ser alertados apenas para os perigos associados à exposição solar. Apesar da importância dos mesmos e de uma protecção eficiente em relação a estes, é também fundamental lembrar-nos de outros pequenos perigos que espreitam nos diversos ambientes em que usufruimos das nossas merecidas férias, nomeadamente, aqueles relacionados com as picadas por animais.

Por isso, decidi fazer este post um pouco diferente do habitual, com alguma informação acerca desses perigos e o que fazer quando o encontro com estes animais se torna inevitável.

 

À BEIRA-MAR:

 

- Peixe-Aranha (na imagem) e Rascassos:

 

 

 

O peixe-aranha é um animal bastante comum nas nossas praias, particularmente à beira-mar, onde a água é menos profunda. Os rascassos existem nas atractivas poças que a maré-baixa deixa para as crianças brincarem.

Estes animais não atacam, apenas nos picam quando pisados inadvertidamente.

 

Sintomas:

- picada dolorosa

 

Tratamento:

- calor (água quente)

- analgésicos

- antissépticos (Betadine)

 

 

- Ouriços-do-mar

 

Também não proporcionam um encontro nada agradável.

 

Sintomas:

- dor intensa

 

Tratamento:

- remoção de todos os espinhos (pode usar-se vinagre, que ajuda a dissolver os mesmos)

- gelo

- antissépticos

- analgésicos

 

- Alforrecas e Caravelas-portuguesas (nas imagens)

 

Com uma elegância muito própria, estes animais não são porém bons para "estabelecer contacto". As caravelas-portuguesas têm sido notícia recorrente visto que têm dado à costa nas praias portuguesas e espanholas. Atente nas imagens abaixo publicadas e apreenda-lhes o aspecto. Se as vire na areia, não as pise. Mesmo depois de mortas os seus nematocistos (ejectores de veneno) continuam carregados de veneno.

 

Sintomas:

- dor intensa e prurido (comichão)

- edema (inchaço) local

- cãibras musculares (que podem levar ao afogamento)

- queimaduras de 2º grau, com flictenas (bolhas de líquido seroso)

 

Tratamento:

- remoção dos fragmentos dos tentáculos (para suspender a ejecção de veneno)

- aplicação de creme gordo

- analgésicos

- anti-inflamatórios sistémicos

 

 

 

PERIGOS QUE CHEGAM A VOAR:

 

- Abelhas

 

 

Por demais frequentes, a sua dança abrilhanta o nosso meio aéreo. Porém, quando se sentem ameaçadas elas não hesitam em sacrificar o seu ferrão único e, simultaneamente, a sua vida, picando-nos.

 

Sintomas:

- dor intensa

- reacção de hipersensibilidade (em doentes alérgicos): urticária generalizada ou choque anafiláctico (que culmina no edema laríngeo, que leva à morte por asfixia)

- as picadas na boca ou nas vias respiratórias são mais graves devido ao compromisso da função respiratório pelo edema dos constituintes da via aérea

Nota: como só tem um ferrão, a abelha apenas pica uma vez. Porém, aquando de picadas múltiplas por enxame de abelhas, a quantidade de veneno inoculada num só indivíduo pode ser fatal.

 

Tratamento:

- remoção do ferrão farpado da pele

- desinfecção com antisséptico

- aplicação local de gelo

- compressas de bicarbonato de sódio (para neutralizar o veneno, de características ácidas)

- analgésicos

- anti-histamínicos

 

- Vespas

 

Por vezes, confundidas com as abelhas. Distinguem-se pela sua cor mais amarelada e pelas manchas negras nos segmentos do abdómen. Como o seu ferrão não tem farpelas, não fica preso à pele, pelo que pode efectuar picadas múltiplas. Além disso há um maior risco infeccioso pois as vespas se alimentam de cadáveres em decomposição.

 

Sintomas:

- dor intensa

- outros sinais inflamatórios (edema, rubor, calor)

 

Tratamento:

- desinfecção com antisséptico

- aplicação local de gelo

- compressas embebidas em vinagre ou sumo de limão (para neutralizar o veneno, de características básicas)

- analgésicos

- anti-histamínicos

 

 

- Moscas, mosquitos e melgas

 

Um desagradável, mas frequente intruso. Dão, porém, origem a situações não complicadas com evolução rápida e favorável. Apenas se tornam mais preocupantes nos países tropicais, onde são frequentemente vectores (transportadores) de agentes infecciosos, como por exemplo do agente da malária. Nestes locais é fundamental prevenir através do uso de repelentes, redes mosquiteiras e roupa protectora.

 

Sintomas:

- inflamação, edema e prurido sem outras complicações

 

Tratamento:

- geralmente não necessário

- podem usar-se gelo, água corrente sobre a picada ou loções calmantes

 

 

 

 

PASSEIOS TERRESTRES

 

- Aranhas (viúva-negra-europeia e tarântula-europeia)

 

Um dos animais que mais fobias causa, motivo pelo qual nem me atrevo a publicar aqui qualquer imagem. A boa notícia é que aranhas venenosas capazes de perfurar a pele humana são raras no nosso país, existindo apenas 2 espécies. Geralmente, só existe perigo de vida em crianças com menos de 15 kg.

 

Sintomas:

- dor localizada

- edema

- após 15 minutos - sintomas neurotóxicos: agitação, diminuição das frequências cardíaca e respiratória, cãibras musculares, sudorese intensa, hipersalivação

 

Tratamento:

- colocação de um garrote acima da picada

- gelo

- analgésicos

- repouso absoluto

- acompanhamento médico! (recorrer ao médico o mais rapidamente possível)

 

 

- Escorpiões (lacraus)

 

São bastante comuns em terrenos secos e pedregosos, sobretudo ao entardecer, altura em que saem dos seus esconderijos.

 

Sintomas:

- dor muito intensa

- edema e paralisia do membro afectado

- ansiedade

- arrepios

- cãibras musculares

- hipotensão

 

Tratamento:

- imobilização do membro e garrote acima da picada

- gelo

- compressas quentes com bicarbonato de sódio

- acompanhamento médico!

 

 

- Carraças

 

Trazem consigo dois problemas: são, por um lado, inoculadoras do seu próprio veneno e, por outro, vectores de agentes infecciosos.

 

Sintomas:

- a picada não causa dor, pelo que é fundamental procurar nas roupas a presença das carraças e na pele as picadas das mesmas

- mancha cutânea

- febre

- rigidez articular

- fadiga intensa

- quando não tratada pode dar origem à febre da carraça: afecções articulares, neurológicas e cardíacas graves

 

Tratamento:

- usar algodão embebido em éter, o que leva à retracção da carraça e torna mais fácil a sua remoção na totalidade

- pomadas anti-inflamatórias

 

 

- Víboras (víbora-cornuda e víbora de Seoane)

 

Poucas espécies de ofídios são perigosas para o homem no nosso país. Apenas 4 são venenosas, sendo que 2 dessas têm o veneno na porção posterior da mandíbula pelo que não conseguem inoculá-lo, a não ser aquando da deglutição. Assim, para nos preocuparmos, restam-nos 2 espécies de víboras. As víboras são fáceis de distinguir das restantes cobras: têm a cabeça triangular, a pupila vertical, uma linha escura em ziguezague no seu dorso e a cauda curta. As picadas de víboras são mais perigosas em crianças ou quando em regiões mais sensíveis do corpo (face e pescoço).

 

Sintomas:

- dor local súbita

- edema

- ansiedade

- hipotensão

- hipertermia

- dores abdominais

- náuseas e vómitos

- diarreia

- alterações cardíacas

 

Tratamento:

- posicionamento da vítima em repouso

- lavagem com água da picada

- garrote

- acompanhamento médico!

 

 

 

Finalmente, resta-me esperar que este post não ponha todos os leitores a desistir das suas férias. Todos estes animais são, ora inofensivos, ora raros. E, de uma forma geral, só atacam quando ameaçados. Logo, desejo a todos umas boas férias com a segurança de ter esta informação adicional. Boas férias.

 

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